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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Desvendando os segredos da poesia... Você consegue entender?


É preciso que saibamos desvendar os mistérios da poesia
Sabemos que a poesia é estado de alma, é o despertar da subjetividade, revelando sentimentos e emoções vividas pelo poeta.
Mas será que estamos preparados para entender a essência da mensagem como um todo? O texto realmente fez diferença, ou não passou de meras palavras? 

Há muito o que descobrir por trás de uma simples estrofe e de um simples verso, pois na maioria das vezes o objetivo do poeta é fazer um denúncia , é criticar algo relacionado ao contexto social, e, somente iremos decifrar tudo isso através do nosso conhecimento de mundo.Esta é a chamada"Análise do Discurso", através dela conseguimos desvendar a intencionalidade do autor e fazer com que a leitura de um modo geral, nos faça sentido.

Vejamos agora um poema de Ulisses Tavares, o qual retrata muito bem esta questão: 

Além da Imaginação

Tem gente passando fome. 
E não é a fome que você imagina 
entre uma refeição e outra. 
Tem gente sentindo frio. 
E não é o frio que você imagina 
entre o chuveiro e a toalha. 
Tem gente muito doente. 
E não é a doença que você imagina 
entre a receita e a aspirina. 
Tem gente sem esperança. 
E não é o desalento que você imagina 
entre o pesadelo e o despertar. 
Tem gente pelos cantos. 
E não são os cantos que você imagina 
entre o passeio e a casa
Tem gente sem dinheiro. 
E não é a falta que você imagina 
entre o presente e a mesada. 
Tem gente pedindo ajuda. 
E não é aquela que você imagina 
entre a escola e a novela. 
Tem gente que existe e parece 
imaginação

(Ulisses Tavares. São Paulo, Brasiliense, 1984.)
Através do mesmo, podemos identificar uma verdadeira crítica às mazelas da sociedade, fazendo referência principalmente à desigualdade que tanto assola o nosso país atualmente. E se formos analisar o título- “imaginação” iremos identificá-lo com tudo o que foi dito anteriormente, haja visto que o real significado da palavra vai além do que ele literalmente representa.
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola